Na Antiga Grécia, o templo de Palas Atena, o soberbo Partenon, construído no ponto mais alto da Acrópole, era freqüentemente palco de um joguinho de bola, chamado spyskiros, assemelhado ao futebol. Os soldados gregos, durante as guerras com a Pérsia, aproveitavam a trégua dos combates batendo uma bolinha entre as tendas dos acampamentos. Às vezes observados de longe, ou de muito perto, pelos persas. Por certo, os festejos dos gregos pelas vitórias nas batalhas decisivas de Platéia (479 a.C.) e Salamina (480 a.C.) contaram com alegres disputas de spyskiros.
Em Maratona, os atenienses, antes da batalha, exercitavam-se praticando um movimentado spyskiros, reunindo centenas de jogadores distribuídos em 2 grupos, englobando vários torneios. O empenho, a estratégia e a agilidade dos gregos serviram de preparação para o histórico combate, que resultou na fragorosa derrota de Dario, chefe persa.
O escritor Heródoto, nos seus comentários sobre a batalha de Maratona, registrou que os atenienses, certamente melhor preparados fisicamente pela prática do spyskiros, tiveram apenas 192 mortos, contra mais de 6.400 persas.
Voltando ao Partenon, suas colunas devem ter servido de balizas onde goleiros seguravam, espalmavam ou deixavam passar bolas, sob tremendas broncas dos arquitetos Ictino e Calícrates, e do escultor Fídias, que viam o mármore dos seus trabalhos imortais atingidos por boladas violentas.
Do spyskiros também ficaram referências de escritores gregos, como Antífanes (século IV a.C.) e Julio Polux (século II d.C.).
Xenofonte, biógrafo e historiador grego (430 / 354
a.C.) atribui a Sócrates a seguinte afirmação:
"Nenhum cidadão tem o direito de ser um amador em matéria de adestramento físico, sendo parte do seu ofício, como cidadão, manter-se em boas condições, pronto para servir ao Estado sempre que preciso. Além disso, que desgraça é para o homem envelhecer sem nunca ter visto a beleza e a força de que seu corpo é capaz".